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Por Luiz Lunardelli
Quem diria que Florianópolis, conhecida nacionalmente pela qualidade de vida invejável, pelas praias paradisíacas e pelo clima agradável, ganharia destaque em outra categoria: a capital onde beber um cafezinho virou símbolo de status social. Sim, nesta cidade onde antes os luxos eram ostentados em carros e mansões à beira-mar, agora é possível impressionar os amigos apenas com uma xícara de café quente sobre a mesa.
A capital catarinense ganhou recentemente o nada invejável título de campeã nacional da inflação no segmento alimentar. E quem leva o troféu da disparada mais absurda é o café: quase 65% mais caro em apenas um ano. Com esse índice, o outrora inocente hábito de tomar café pela manhã tornou-se um ato de esbanjamento digno das mais requintadas cafeterias parisienses.
Os supermercados da cidade viraram palcos de dramas cotidianos. Ir às compras virou quase uma gincana onde ganha quem encontra o produto mais barato no local mais distante, queimando combustível suficiente para eliminar qualquer economia. E quando moradores da cidade, precisam decidir entre café ou achocolatado, a sensação é de que a gastronomia catarinense acaba de inventar um novo tipo de dieta: a "inflação fit", aquela onde se emagrece cortando refeições importantes, como queijo, carne ou até um simples pãozinho com manteiga.
O humor da situação não é perdido entre os consumidores mais atentos: dizem alguns moradores, em tom de ironia, que “tomar café hoje é um luxo tão exclusivo quanto abrir um espumante francês”. Não é exagero afirmar que daqui a pouco o café pode até virar presente de casamento ou item de cesta de Natal corporativa—desde que comprado no parcelamento sem juros, claro.
Enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin sugere zerar impostos sobre alimentos para conter essa disparada, o governo de Santa Catarina alega que tal medida seria uma tragédia financeira para as contas públicas do estado. Claro, seria muito desagradável que o governo perdesse arrecadação e tivesse que cortar alguns de seus próprios pequenos luxos, como coffee breaks (curiosamente com café), para evitar a perda estimada em milhões.
Os economistas até oferecem alívio: “Calma, vem safra robusta por aí”, dizem eles. Mas, convenhamos, até essa safra robusta aparecer nas prateleiras com preços minimamente civilizados, é provável que muitos já tenham adotado dietas revolucionárias à base de ar e imaginação—afinal, dizem que sonhar não custa nada, por enquanto.
Enquanto o café virou símbolo da crise inflacionária, outros alimentos tradicionais da mesa brasileira também pedem licença, saindo discretamente de cena. Carne vermelha? Só se houver uma promoção relâmpago digna de Black Friday. Enquanto isso, o ovo assume protagonismo, mantendo o catarinense alimentado, porém eternamente frustrado.
Quem diria que Florianópolis, antes um símbolo de bem-estar e qualidade de vida, seria o lugar onde tomar café da manhã é sinônimo de ostentação e jantar carne virou extravagância? Bem-vindo a Floripa, onde a vida segue bela—desde que você tenha condições de pagar por ela.

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